HIGH-LIFE
(Boavista e Cordoaria)
Neves
e Pascaud
Feira
de S.. Miguel-(Actual Rotunda da Boavista) e
em 1908 Jardim da Cordoaria
1908
como High-Life na Pr. Batalha
1947 como Cinema Batalha
1908
Num
dia de Verão do ano de 1906 os portuenses assistiram à primeira
sessão de cinema de que há memória na cidade, em termos
de espectáculo aberto ao público. Não foi essa
a primeira
vez que no Porto se projectaram filmes, mas os espectáculos de 1906 marcam,
com certeza, o início da longa história portuense da exibição
cinematográfica.
O espectáculo aconteceu na Feira de, S. Miguel, no campo onde depois
nasceu a actual Rotunda da Boavistd, que fotografias da época mostram
como sendo um espaço aberto com árvores dispersas e uma fila delas,
mais alinhadas, anunciando já o que seria depois a avenida em direcção
ao Castelo do Queijo. O cinema, como lembram os seus primeiros cronistas, era
um espectáculo de feira, de características populares, não
obstante a sedução que, desde logo, produziu em todas as camadas
sociais. A primeira «sala» da Rotunda não passava de um barracão
de madeira e zinco com o nome pomposo de Salão High-Life, o suficiente
para o animatógrafo dar os primeiros passos junto dos portuenses. Os
responsáveis pêlos históricos acontecimentos fílmicos
da Feira de S. Miguel foram António Neves e Edmond Pascaud, dois nomes
que viriam depois a marcar, até aos nossos dias, de forma incisiva, toda
a caminhada da exibição cinematográfica no Porto, ao mesmo
tempo que se afirmavam na divul gação do cinema como espectáculo,
divertimento e veiculo de cultura.
Trata-se da Empresa Neves & Pascaud (cinemas Batalha, Trindade e, já
nos nossos dias, a Sala Bebé), de que foi timoneiro, durante décadas,
um dos nomes de ouro da difusão do cinema em Portugal, o Dr. Luís
Neves Real.
Que filmes se viam no barracão da Feira de S. Miguel em 1906? Eram «quadros»
e «vistas» — recorda-o Alves Costa — iguais aos que
então corriam mundo, projectados por uma «Pathé»,
como se sabe a máquina pioneira no ofício. Cenas captadas sabe-se
lá onde mostravam-se em sessões conti nuas, das duas da tarde
até perto da meia-noite. A novidade fez as delícias dos portuenses.
Vale a pena recordar as palavras de Neves Real sobre essas históricas
sessões de 1906: «Sobre terra estreme, uma fiada de bancos
plebeus constituía a "geral". Seguiam-se-lhe, como tribuna
de honra, sobre estrado de madeira, as filas de cadeiras a marcar uma distinção
e a preservar apropriado acolhi mento à "High-Life" c/o Porto
que, como a alta roda de Paris, não desdenhou acorrer a extasiar-se perante
as "maravilhosas vistas" que a firma Neves & Pascaud lhe oferecia
à razão de 130 réis por pessoa e por sessão. Então
era ainda o cinema um menino débil, apesar dos seus onze anos».
O Salão High-Life com sua cobertura de zinco esteve pouco tempo no descampado
da Boavista: dois meses apenas. Transferiu-se logo para o Jardim da Cordoaria,
que assim averba no seu historial a honra de ter acolhido a «sala»
pioneira da exibição cinematográfica no Porto.
O Salão High-Life esteve na Cordoaria uns dois anos: em 29 de Fevereiro
de 1 908 foi assentar arraiais na Praça da Batalha, juntando mais uma
palavra — «Novo» — ao seu já prestigiado nome.
Tratava-se, no entanto, agora, de um «pitoresco edifício»
(diz Alves Costa) que em 1913 tomará o nome definitivo de Cinema Batalha.
O Novo Salão High-Life, apesar de se ir tornando obsoleto, não
perderá a sua capa cidade de atrair o público a um espectáculo
cada vez mais popular.







